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Artrite Juvenil
A palavra artrite se refere à inflamação (quer dizer, inchaço, perda de função, calor e dor) das articulações. A artrite é freqüentemente uma doença crônica, o que significa que pode durar meses ou anos. Artrite juvenil significa artrite ou condição relacionada à artrite (doença reumática) que inicia-se até os 16 anos de idade.
Milhares de crianças no Brasil sofrem de algum tipo de artrite juvenil. A forma mais comum de artrite juvenil é a artrite reumatóide juvenil, também denominada artrite idiopática juvenil. Não dispomos de dados estatísticos nacionais precisos; nos Estados Unidos sua incidência é de 2 a 10/100.000 crianças. No entanto, as crianças com diversas doenças reumáticas e não reumáticas também são afetadas por artrite e por outras manifestações ósseas, musculares e articulares.
Tipos de Artrite Juvenil e Desordens Relacionadas
É importante estabelecer se o seu filho tem artrite ou alguma doença relacionada com artrite e seu tipo, uma vez que o tratamento é diferente para cada tipo. O diagnóstico e tratamento precoces são muito importantes para diminuir ou prevenir danos às articulações e tecidos.
Artrite Reumatóide Juvenil
Artrite reumatóide juvenil (ARJ) é a forma mais comum de artrite em crianças. Ela é freqüentemente uma doença benigna que causa poucos problemas, mas pode produzir complicações sérias em casos graves. Artrite é caracterizada por quatro alterações principais observadas nas articulações. As características mais comuns da ARJ são inflamação das articulações, as deformidades ósteo-articulares e alteração do crescimento. Outros sintomas incluem rigidez nas articulações seguida da diminuição nas atividades e fraqueza nos músculos e partes moles. Entretanto, como ARJ afeta cada criança de uma maneira diferente, o seu filho pode não passar por todas estas alterações. A intensidade de cada sintoma também pode variar de uma criança a outra. Não existe um exame único para diagnosticar a ARJ. O diagnóstico é determinado pela presença de artrite ativa em uma ou mais articulações por pelo menos seis semanas após serem descartadas outras doenças. Após fazer o diagnóstico, o médico do seu filho pode encaminhá-lo a um Reumatologista Pediátrico, um médico especializado em tratar crianças com artrite. O tipo de artrite é determinado com base nos sintomas que prevaleceram nos primeiros seis meses da doença. Existem três tipos principais de ARJ: ARJ poliarticular, que afeta cinco ou mais articulações; ARJ pauciarticular, que afeta até quatro articulações; e ARJ de início sistêmico, que afeta tanto as articulações como os órgãos internos. As características de cada tipo de artrite são descritas a seguir.
ARJ Poliarticular
Poliarticular significa muitas articulações; este tipo de artrite afeta cinco ou mais articulações. Meninas têm ARJ poliarticular mais freqüentemente do que meninos. As manifestações iniciais da ARJ poliarticular em meninas adolescentes são com freqüência semelhantes às da artrite reumatóide em adultos (AR). Artrite poliarticular em geral afeta as pequenas articulações dos dedos e das mãos, podendo também afetar articulações que suportam peso, especialmente joelhos, quadris, tornozelos, pés, pescoço e queixo e, muitas vezes, afeta a mesma articulação nos dois lados do corpo. Outras possíveis características incluem febre baixa, um exame de sangue positivo para o fator reumatóide, e nódulos reumáticos (saliências nos cotovelos ou outras partes do corpo que ficam em contato sob pressão de cadeiras, sapatos ou outros objetos).
ARJ Pauciarticular
Pauciarticular significa poucas articulações; este tipo de ARJ afeta até quatro articulações. Artrite pauciarticular normalmente afeta as grandes articulações (joelhos, tornozelos ou cotovelos), freqüentemente afeta uma articulação específica somente em um lado do corpo, e pode ser acompanhada de iridociclite (ou uveíte) crônica. Daí a importância dos exames oftalmológicos periódicos EM TODAS AS CRIANÇAS COM ARJ.
ARJ de início sistêmico
Sistêmico significa que afeta o organismo ou sistema por inteiro. Este é o tipo de ARJ mais raro e afeta os órgãos internos e as articulações das crianças. Este tipo de ARJ afeta tanto meninas como meninos. Para algumas crianças, a febre e os sintomas sistêmicos da doença desaparecem completamente embora os sintomas de artrite nas articulações possam permanecer. ARJ de início sistêmico inclui febre alta em picos (39,5º ou mais) que pode durar semanas ou meses; uma erupção de brotoejas vermelhas, claras, que freqüentemente aparece no peito, coxas e às vezes em outras partes do corpo da criança (a erupção pode acompanhar a febre e pode ir e voltar durante muitos dias seguidos); inflamação das articulações que pode acompanhar a febre ou começar semanas ou meses mais tarde. Outras possíveis características deste tipo de artrite incluem inflamação da membrana externa do coração; inflamação do coração ou dos pulmões; anemia (baixo nível de glóbulos vermelhos); e aumento do tamanho dos gânglios, fígado ou baço.
Espondiloartropatia Juvenil
As Espondiloartropatias são um grupo de doenças que envolvem a coluna vertebral. Estas incluem Espondilite Anquilosante juvenil, entesopatias e artropatias soronegativas (síndrome SEA), artrite associada à doença inflamatória intestinal, artrite reativa e síndrome de Reiter. As espondiloartropatias ocorrem mais em meninos do que em meninas.
Espondilite Anquilosante juvenil geralmente causa artrite nas grandes articulações das extremidades inferiores, como o quadril e coluna. Um exame de sangue para uma proteína chamada HLA-B27 freqüentemente dá positivo para crianças com Espondilite Anquilosante. Síndrome de Reiter é uma condição que pode causar inflamação do trato urinário, inflamação da conjuntiva (conjuntivite), úlceras na boca e/ou uma erupção na pele. Normalmente se desenvolve como uma artrite reacional após ou associada à diarréia causada por Shigella, Salmonella, ou Yersinia. O começo da síndrome de Reiter pode ser aguda, com febre e envolvimento de muitas articulações.
Atrite Psoriática Juvenil
Atrite psoriática juvenil é um tipo de artrite que afeta tanto meninos como meninas (sendo mais freqüente nestas) e que pode ocorrer junto com psoríase da pele. Os sintomas em crianças incluem estrias e pequenos pontos nas unhas e uma erupção atípica de pele atrás das orelhas, em pálpebras, cotovelos, joelhos, na linha do couro cabeludo ou no umbigo. Um histórico familiar de artrite psoriática pode estar presente.
Diagnosticando a Artrite Juvenil
O médico do seu filho pode ter que passar por várias etapas para descobrir se o seu filho tem algum tipo de artrite juvenil ou condição relacionada. Os principais processos envolvidos no diagnóstico normalmente incluem:
Um histórico completo para ajudar a determinar há quanto tempo os sintomas existem, para se excluir outras possíveis causas como infecções virais. O histórico familiar também é importante para p diagnóstico. Um exame físico para procurar inflamação das articulações, erupções, nódulos e problemas nos olhos que possam sugerir a presença de artrite juvenil. Exames laboratoriais para ajudar a excluir outras doenças. Estes podem incluir velocidade de hemossedimentação (VHS), teste para detecção de anticorpos antinucleares (FAN), teste para detecção do fator reumatóide (FR), tipagem HLA-B27, contagem da hemoglobina e análise da urina. Raios-X de articulações para identificar outras possíveis condições tais como infecções, tumores ou fraturas. Exames de líquidos das articulações e tecidos para procurar infecções ou inflamações.
Tratando a Artrite Juvenil
Diagnóstico e tratamento precoces apropriados oferecem à criança melhores chances para um resultado favorável. O tratamento do seu filho dependerá do tipo de artrite que ele tem e dos sintomas específicos apresentados. Os objetivos de qualquer tratamento para artrite juvenil são controlar a inflamação, aliviar a dor, prevenir ou controlar danos às extremidades e maximizar habilidades funcionais. O tratamento do seu filho normalmente vai incluir medicamentos, exercício, cuidados com os olhos, cuidados com os dentes e alimentação saudável. Tratamentos como cirurgia podem se tornar necessários para certos problemas a longo prazo. Alguns médicos também acham que a dor pode ser aliviada com uma combinação de tratamento médico com técnicas de relaxamento muscular e abordagem psicológica. Pelo fato de existirem muitas modalidades para o tratamento de crianças com ARJ, o tipo ideal de tratamento é às vezes chamado de tratamento por equipe multidisciplinar ou tratamento coordenado. A equipe médica pode incluir vários especialistas que trabalham juntos para oferecer ao seu filho um programa completo de tratamento incluindo-se pediatra, reumatologista pediátrico, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. Outros profissionais poderão estar envolvidos em alguns casos, como nutricionista, oftalmologista, psicólogo, nefrologista, neurologista, gastroenterologista, cardiologista, pneumologista, dentista, assistente social e cirurgião ortopedista.
Medicamentos O objetivo imediato da terapia com medicamentos é reduzir a inflamação, melhorar a dor e inchaço e maximizar as habilidades funcionais. O objetivo a longo prazo é alterar a progressão da doença e destruição de ossos, cartilagem e partes moles. Os seguintes medicamentos são utilizados no tratamento de crianças com artrite e condições relacionadas a esta doença.
Antiinflamatórios Não-Hormonais (AINHs) Os medicamentos antiinflamatórios não-esteróides são a primeira linha de medicamentos utilizados em artrite reumatóide juvenil e são a principal parte da terapia inicial . Os AINHs devem ser tomados por pelo menos seis a oito semanas para que se possa avaliar adequadamente a sua eficácia no controle da dor e da inflamação. Exames laboratoriais podem ser conduzidos para monitorar a toxicidade dos medicamentos na criança. Estes medicamentos podem ser líquidos ou comprimidos e são ingeridos de uma a quatro vezes ao dia, dependendo do tipo prescrito. Os possíveis efeitos colaterais dos AINHs incluem dor de estômago, náusea, vômito, anemia, dor de cabeça, sangue na urina, dor abdominal, úlcera péptica, fotossensibilidade, fragilidade da pele , problemas de cicatrização da pele e dificuldade de se concentrar.
Medicamentos antiinflamatórios de efeito lento Estes medicamentos não produzem alívio da dor ou efeitos antiinflamatórios imediatos, mas sim efeitos benéficos, semanas a meses após o início do tratamento, modificando a evolução natural da doença articular, que pode incluir erosão das articulações ou cartilagem e destruição dos ossos. Por isso, são chamados medicamentos anti-reumáticos de efeito lento ou agentes modificadores da atividade de doença. Estes medicamentos às vezes são utilizados em conjunto com os AINHs. Por serem medicamentos mais fortes, as crianças precisam fazer exames laboratoriais freqüentemente para monitorar os níveis de toxicidade. Alguns destes medicamentos estão descritos abaixo.
Hidroxicloroquina/cloroquina A hidroxicloroquina é prescrita em comprimidos para auxiliar no controle da inflamação nas articulações. Embora não seja útil em todos os casos, pode ajudar quando metotrexate ou ouro não foram completamente efetivos. Efeitos colaterais da hidroxicloroquina incluem mal estar gátrico, erupção na pele e danos aos olhos. Uma criança tomando este medicamento deverá ter os seus olhos examinados por um oftalmologista pelo menos a cada seis meses.
Sulfassalazina A sulfassalazina é prescrita em comprimidos. Seus efeitos colaterais incluem mal estar, dores no corpo, diarréia, vertigens, dor de cabeça, fotossensibilidade, coceira, perda de apetite, anormalidades no fígado, baixa contagem de glóbulos brancos, náuseas, vômitos ou erupção na pele.
Metotrexato Metotrexato é prescrito em comprimidos ou por injeção em doses semanais. Poucos efeitos colaterais foram registrados nas doses baixas que normalmente são prescritas, mas o controle laboratorial regular é ainda importante. Os efeitos colaterais podem incluir náuseas, ferimentos na boca, diarréia, baixa contagem de glóbulos brancos, sinusite e alterações das enzimas hepáticas (do fígado), como TGO e TGP. Deve-se evitar todo tipo de bebida alcoólica e cigarros enquanto estiver tomando este medicamento.
Azatioprina A azatioprina é prescrita em comprimidos. Seus efeitos colaterais podem incluir tosse, febre, calafrios, perda de apetite, náuseas, vômitos, erupção na pele, sangramento ou hematomas, cansaço ou fraqueza anormal e esterilidade.
Ciclofosfamida A ciclofosfamida é prescrita em comprimidos diários ou via intravenoso em dose única. Efeitos colaterais incluem sangue na urina ou queimação na hora de urinar, confusão ou agitação, tosse, vertigem, febre e calafrios, perda de apetite, náuseas, vômitos, sangramento ou hematomas, cansaço ou fraqueza anormal, esterilidade e maior risco de câncer.
Ciclosporina A ciclosporina é prescrita em líquido ou cápsulas. Seus efeitos colaterais incluem sangramento, gengivas inchadas e sensíveis, retenção de líquidos; aumento da pressão arterial, aumento no crescimento de pêlos, problemas nos rins, perda de apetite, tremores ou agitação das mãos.
Corticóides Os glicocorticóides (metilprednisolona, prednisolona e prednisona) são os agentes antiinflamatórios mais potentes e são utilizados para tratar doenças reumáticas quando a doença é grave e não responde a outros medicamentos. Por apresentarem muitos efeitos colaterais, eles têm de ser utilizados com cautela. Se os corticóides são prescritos, a menor dose deverá ser usada pelo menor tempo possível. Cabe uma ressalva: nunca suspenda o tratamento por contra própria. Uma parada brusca pode levar a uma série de efeitos indesejáveis. Normalmente, o medicamento é prescrito por via oral como comprimido ou líquido. Ele também pode ser administrado como injeção na própria articulação, veia ou músculo. Seus possíveis efeitos colaterais incluem aumento da pressão arterial, osteoporose (enfraquecimento dos ossos), síndrome de Cushing (aumento de peso, cara redonda, pele fina, enfraquecimento dos músculos e ossos quebradiços), aumento da pilificação, catarata, atraso de crescimento, maior suscetibilidade a infecções, mudanças súbitas de humor, aumento de apetite e peso ou maior risco a úlceras.
Analgésicos Os analgésicos (acetaminofen, dipirona) não aliviam a inflamação, mas providenciam alívio para dor. Somente deverão ser tomados com prescrição médica, em conjunto com outros medicamentos. Seus efeitos colaterais podem incluir vertigem, náuseas, prisão de ventre, dor de cabeça e sonolência.
Novas terapias biológicas As novas terapias biológicas compõem uma nova classe de medicamentos feitos de proteínas sintéticas. Embora ainda estejam sendo pesquisadas, acredita-se que as terapias biológicas possam diminuir ou interromper a resposta imunológica prejudicial que leva à inflamação das articulações. Imunoglobulina intravenosa (gamaglobulina endovenosa) é utilizada no tratamento de várias doenças reumáticas infantis. Normalmente, ela é aplicada de maneira intravenosa uma vez ao mês. Seus efeitos colaterais incluem risco de anafilaxia, aumento da sensibilidade a proteínas e outras substâncias. Atualmente são utilizadas outras formas de terapias biológicas, que devem ser utilizadas em alguns casos selecionados, com indicações precisas. Estas incluem anticorpos monoclonais (infliximab), inibidores de receptores (etanercepte), vacinas derivadas de peptídeos e gama-globulina intravenosa.
Exercício O exercício físico é uma parte muito importante do tratamento da artrite juvenil. Ele ajuda a manter a mobilidade articular de crianças com artrite, a manter os músculos fortes, recuperar movimentos ou força nas articulações e músculos e facilita as atividades diárias como andar ou se vestir, além de melhorar o condicionamento e a resistência gerais.
Fisioterapia Enquanto os medicamentos podem diminuir a dor e a inflamação, somente a fisioterapia pode devolver a mobilidade a uma articulação. Estes exercícios podem ajudar as crianças nas atividades do dia a dia tais como andar, comer e escrever. Os exercícios de extensão de movimentos ajudam a manter a flexibilidade dos músculos e são especialmente importantes para crianças que perderam mobilidade em uma articulação ou cujas articulações estão mobilizadas em uma posição fixa. Alguns exercícios de fortalecimento estimulam a musculatura. Um fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional ensinará ao seu filho a fazer os exercícios em casa. A maioria destes exercícios deverá ser feita diariamente. O terapeuta ensinará seu filho a utilizar banhos quentes, bolsas de água quente e/ou fria antes de fazer os exercícios para facilitar a terapia.
Esportes e atividades de recreação As atividades de recreação ajudam os pacientes a exercitar articulações e músculos, desenvolver habilidades sociais e se divertir. Mas lembre-se de que as atividades de recreação não devem tomar o lugar da fisioterapia. Participar em esportes e atividades de recreação ajuda as crianças com artrite a desenvolver confiança nas suas habilidades físicas. Estimule as atividades que exercitam as articulações e músculos sem forçá-los, tal como a natação. Músculos fortes e proteção para as articulações são muito importantes para a prática de atividades esportivas. Embora os esportes de impacto nunca sejam recomendados, até mesmo esportes mais agressivos como o futebol e o basquete podem estar dentro dos limites do seu filho. Exercícios especiais e equipamentos de proteção podem diminuir o risco de ferimentos e ajudar o seu filho a praticar os esportes que gosta.
Talas As talas ajudam a manter as articulações na posição correta e a aliviar a dor. Se uma articulação está se deformando (dobrada na posição errada), uma tala pode ajudar a esticar esta articulação de volta à sua posição normal. As talas comumente utilizadas são a tala para extensão do joelho, a tala para extensão do pulso e talas para os dedos das mãos. As talas são normalmente feitas por um fisioterapeuta. As talas para as mãos e braços são feitas de plástico e as para as pernas às vezes são feitas de gesso. O fisioterapeuta faz as talas sob encomenda para o seu filho para acompanhar o seu crescimento e as mudanças no posicionamento das articulações.
Alívio para rigidez matinal Muitas crianças passam por um período de rigidez articular quando acordam diariamente. Esta rigidez matinal pode ser um bom termômetro da atividade da doença. Quanto mais prolongado for o período de rigidez, mais ativa estará a doença. Tomar um banho de chuveiro quente, dormir num saco de dormir ou cama de água, realizar exercícios de extensão ou usar uma bolsa de água quente ou fria podem aliviar a rigidez. Enquanto a maioria das crianças responde melhor ao calor, outras respondem a tratamentos com frio (um saco plástico com gelo funciona bem).
Comentário de Interesse
Cuidado com os olhos Vários tipos de inflamação dos olhos estão associados às diversas formas de artrite juvenil. Exames oftalmológicos freqüentes podem identificar problemas antecipadamente e reduzir o potencial de complicações mais graves. As uveítes crônicas ocorrem mais freqüentemente em meninas com artrite reumatóide juvenil pauciarticular e que têm uma proteína conhecida como fator antinúcleo (FAN) no sangue. Esta inflamação dos olhos pode aparecer sem sintomas ou sinais óbvios. Por isso, é importante que todas as crianças diagnosticadas com artrite reumatóide juvenil sejam atendidas por um oftalmologista (médico especializado no tratamento dos olhos). Isto permite ao médico detectar precocemente problemas nos olhos e começar o tratamento para evitar problemas mais sérios. A inflamação aguda dos olhos, irite, pode aparecer com a espondilite juvenil. O oftalmologista fará uma avaliação completa dos olhos do seu filho, incluindo um exame com lâmpada de fenda. Este procedimento simples e indolor pode acusar problemas antes de aparecerem os sintomas. As crianças deverão continuar a ter exames periódicos dos olhos porque a inflamação dos olhos pode aparecer mesmo quando a doença das articulações estiver inativa. A freqüência dos exames dependerá do risco do seu filho desenvolver problemas nos olhos.
Cuidados com os dentes As crianças com artrite podem ter o movimento da mandíbula limitado, e isto pode tornar a escovação e o uso de fio dental difícil. O dentista do seu filho pode sugerir vários tipos de escova com cabos diferentes, escovas elétricas, suportes para fio dental, palitos de dente e anti-sépticos bucais que podem ajudar o seu filho a manter uma boa higiene dos dentes e gengivas. Os medicamentos também podem afetar a saúde e o desenvolvimento bucal do seu filho. Informe sempre o seu dentista sobre o estado de saúde do seu filho e sobre o desenvolvimento da doença e os medicamentos que ele está tomando. O dentista utilizará estas informações para planejar melhor o tratamento, incluindo utilização de anestesia, sedação ou cirurgia oral. Crianças maiores que tiveram substituição de articulações podem precisar de antibióticos antes de qualquer tratamento dentário. A articulação na frente das orelhas, onde a mandíbula inferior conecta-se à base do crânio chama-se articulação têmporo-mandibular. Esta articulação pode ser afetada por artrite como qualquer outra articulação e a criança pode sentir dor, rigidez e ter crescimento alterado. Exercícios e terapia para a mandíbula podem ser recomendados para a dor e rigidez. Se a mandíbula inferior não se desenvolver apropriadamente, pode se desenvolver uma má oclusão. O seu dentista pode sugerir uma consulta com um ortodontista. Às vezes é necessária uma cirurgia para correção. Uma criança com artrite ativa pode não ter a resistência para se submeter a um tratamento dentário de rotina. Se possível, marque consultas quando o seu filho estiver com maior resistência e planeje consultas breves.
Dieta Crianças com artrite às vezes têm falta de apetite, o que leva a perda de peso e atraso do crescimento. Os efeitos colaterais dos medicamentos podem incluir aumento excessivo de peso. Doenças crônicas demandam mais do corpo da criança e criam a necessidade para ingestão de um número maior de calorias. A criança pode ter falta de apetite quando se sente doente ou pode ter dificuldade em comer quando tem articulações doloridas ou mobilidade limitada. Algumas crianças com artrite se sentem muito doentes ou cansadas para comer. Ajude a criança a ter uma dieta balanceada, comer em intervalos regulares e inclua lanches mesmo quando a criança não estiver com vontade de comer. Tente diminuir a quantidade de comida que a criança precisa ingerir aumentando o conteúdo nutritivo de cada mordida ou gole. Por exemplo, adicione queijos, molhos e margarina às comidas e ofereça leite integral. Isto pode prevenir perda de peso e atraso do crescimento. Por outro lado, crianças com artrite podem aumentar muito o peso por causa dos efeitos colaterais dos medicamentos ou pela falta de atividade física. O excesso de peso força as articulações dos joelhos, quadris e tornozelos. Exercícios apropriados em conjunto com uma dieta balanceada podem ajudar o seu filho a manter um peso normal. Um nutricionista pode lhe mostrar maneiras de melhorar a dieta do seu filho. Muitas crianças com artrite necessitam de quantidades maiores de cálcio e vitamina D para fortalecer os ossos.
Cirurgia Cirurgias são raramente utilizadas no tratamento da artrite juvenil no começo da doença. No entanto, cirurgias podem ser realizadas para o alívio da dor, para liberação das articulações e substituição de uma articulação danificada. Em cirurgias de substituição da articulação, a articulação é substituída por inteiro por uma articulação artificial. Este procedimento é utilizado em crianças maiores com crescimento completo e cujas articulações estejam totalmente danificadas pela artrite. Esta cirurgia é normalmente utilizada para substituir as articulações do quadril, joelho ou mandíbula, podendo diminuir a dor e melhorar os movimentos. Algumas vezes o reposicionamento de uma articulação que se deslocou por causa de uma contratura pode ser auxiliado pela liberação de partes moles. Nesta operação, o cirurgião corta e repara os tecidos que causaram a contratura, permitindo à articulação voltar à sua posição normal.
Lidando Emocionalmente com a Artrite O seu filho pode ter raiva ou tristeza por ter artrite. Vocês, como pais, irmãos ou membros da família também podem ficar aborrecidos por causa da doença e o seu efeito na família. Aprender a lidar com a doença vai ajudar a família inteira. Quando você descobre que seu filho tem artrite, você fica chocado, paralisado e não consegue acreditar. Você também pode se sentir culpado e se perguntar se você fez ou deixou de fazer alguma coisa que causou a artrite no seu filho. Enquanto este tipo de pensamento é comum entre os pais de crianças doentes, você precisa se tranqüilizar e pensar com calma. Lembre-se: você não causou a artrite do seu filho. A criança com artrite pode ter sentimentos diferentes. A criança pode se sentir magoada, culpar os pais pela doença, ter pena de si mesma ou ficar brava por ter as suas atividades limitadas. Elas também podem ter ressentimento com outras crianças, incluindo seus irmãos e irmãs que não tenham a doença. Outras crianças na família podem se sentir excluídas e ressentir-se pelo tempo e atenção que a criança com artrite recebe, ou podem se sentir culpados, como se tivessem de alguma forma causado a doença. As crianças podem se identificar demais com o irmão ou irmã que precisa de cuidados especiais. Podem se sentir pressionados a realizar ou substituir as coisas que o seu irmão ou irmã não consegue fazer. Outros querem se envolver nos cuidados a ponto de deixar de fazer as suas atividades normais. Nestes casos, ajude os irmãos a acharem outras maneiras de lidar com os seus sentimentos. Deixe os irmãos resolverem as suas diferenças entre si. Quando possível, deixe seus filhos conversarem com crianças na mesma situação.
Como Você Pode Ajudar A melhor maneira de lidar com todas estas emoções é conversando. A sua atitude com relação à artrite pode afetar a maneira como seu filho se sente em relação à doença. Fale com seu filho sobre os sentimentos dele. De vez em quando, permita-lhe demonstrar raiva em relação à doença. Espere que seu filho tenha o mesmo comportamento e responsabilidades que outras crianças. Evite dar privilégios especiais a ele. Ele vai se beneficiar fazendo tarefas para as quais ele está fisicamente capacitado. Incentive-o a aprender tudo que possível sobre artrite e seu tratamento. Crianças mais velhas podem se responsabilizar por tomar os medicamentos na hora certa, contar-lhe sobre efeitos colaterais e seguir o programa de exercícios. Estes tipos de responsabilidades vão ajudar o seu filho a se preparar para o futuro. Converse com seus outros filhos sobre artrite e deixe-os demonstrarem os seus sentimentos em relação à doença. Estimule a sua família a continuar tratando o filho com artrite como antes, mas, ao mesmo tempo, lembre-se que ele vai precisar de uma atenção especial. Não superproteja o seu filho com artrite. Ele pode criar uma dependência se você fizer tudo por ele ou se não o deixar fazer as coisas que ele já consegue fazer. Não se deixe ser manipulado a fazer coisas que não devem ser feitas por você, mas negocie quando possível. Sendo coerente sempre que possível, ajudar o seu filho a aprender o que é esperado dele. Certas vezes, durante a doença, você pode deixar de lado o seu relacionamento com outros membros da família. É muito importante que você continue a conversar e se relacionar com os outros. Faça planos de passar um tempo sozinha(o) com o seu companheiro(a) ou com toda a família.
Comparecimento à Escola A maioria das crianças com artrite deve continuar indo à escola normalmente e não ficar isolada de outras crianças da mesma idade. O seu filho pode precisar de auxílio para conviver em uma escola normal. É muito importante informar a professora, a enfermeira e o diretor da escola sobre artrite e como a doença afeta o seu filho.
outras orientações |
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