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Febre Reumática
A febre reumática, ou reumatismo no sangue, como é conhecida popularmente, é uma doença que ataca articulações, coração e sistema nervoso, inflamando-os.
A causa geralmente é uma infecção de garganta pela bactéria estreptococo beta-hemolítico que não recebeu tratamento ou foi mal curada..A pessoa (geralmente criança) contrai o microrganismo e tem a infecção de garganta. Em cinco a sete dias seu organismo reage, produz anticorpos e o neutraliza. Decorridas cerca de duas semanas, porém, as pessoas com pré-disposição para apresentar a febre reumática começam a ter dor e inchaço nas articulações dos membros inferiores, como joelho ou tornozelo. É o sintoma inicial da febre reumática.
A doença manifesta-se em 3% da população. Atinge especialmente crianças de cinco a 15 anos.. É rara após os 20 anos e dificilmente um adulto tem um primeiro surto. Manifesta-se tanto em meninos quanto em meninas, com predominância discreta entre elas. Não são todas as pessoas com infecção pelo estreptococo que desenvolvem a febre reumática: só aqueles que apresentam predisposição genética. O mecanismo da moléstia seria o seguinte: ao mesmo tempo em que atacam a bactéria, os anticorpos agridem as articulações, o coração e o sistema nervoso central, em virtude da semelhança que existe entre estruturas desses tecidos e da bactéria.
O sintoma inicial mais freqüente da febre reumática, como dissemos, são dores muito fortes nas articulações dos membros inferiores. Tão fortes que a criança, geralmente, pára de andar. Em geral começa em uma articulação, dura dois a três dias, melhora e passa para outra articulação. Pode atingir também punhos e cotovelos, mas o mais habitual é descer a um tornozelo, melhorar e aparece no outro. Ocorrem também calor e inchaço discreto. Isso se chama artrite, que se manifesta em cerca de 70% das pessoas que apresentam febre reumática.
A inflamação poderá ocorrer também no coração (50% dos casos), onde pode atacar o endocárdio (tecido que recobre as válvulas cardíacas), o miocárdio (músculo do coração) e o pericárdio (membrana que recobre todo o órgão). O mais comum é atingir, principalmente, o endocárdio. Quando a inflamação é discreta, o paciente às vezes não sente nada. Nos casos em que o comprometimento é mais intenso, no entanto, a criança poderá apresentar cansaço ao fazer esforços, , taquicardia (aumento na freqüência dos batimentos cardíacos) e até insuficiência cardíaca. A doença é auto-limitada, isto é, pode melhorar mesmo sem tratamento, com exceção da inflamação do coração. Existe o risco de danificar as válvulas cardíacas de maneira irreversível.
A inflamação poderá também chegar ao cérebro. Com isso, a criança passa a apresentar movimentos involuntários de braços e pernas (coréia), fraqueza muscular e labilidade emocional (torna-se chorona e briguenta). Sob estresse, os movimentos aparecem ou pioram. Durante o sono, porém, desaparece tudo.
Prevenção, claro, é fundamental. Crianças e adolescentes que apresentem infecção de garganta têm de ser levados a um pediatra. Esse profissional é encontrado até nos postos de saúde. Ele reconhece fácil a moléstia pelas alterações: dor de garganta, febre, aumento dos gânglios no pescoço e pontos vermelhos ou placas de pus na garganta. O tratamento mais eficaz utiliza antibiótico (penicilina benzatina) por via intramuscular em uma única aplicação nos primeiros nove dias da infecção. Basta apenas uma aplicação para se prevenir uma doença que acarreta tantos prejuízos pessoais e econômicos para as famílias e para a sociedade. Entretanto, como existem mais de 80 tipos dessa bactéria devemos ficar sempre alerta porque a cada infecção existe o risco de contrair a doença. O medo infundado do antibiótico penicilina, vale destacar, infelizmente tem dificultado o tratamento da doença. A temida alergia ou choque anafilático é muito rara, especialmente em crianças com menos de 12 anos de idade. Por outro lado, quando crianças e adolescentes apresentam dor e inchaço nas articulações, também precisam ser levados logo ao médico. A primeira providência é combater a bactéria, mesmo que a dor de garganta tenha passado. Todo comprometimento articular pela febre reumática é tratado com a simples aspirina, que interrompe sua evolução. Quando já atingiu o coração, utiliza-se a cortisona, um antiinflamatório mais potente. Também interrompe, em duas a três semanas, a progressão da enfermidade, evitando as complicações. Os danos irreparáveis às válvulas cardíacas, infelizmente, só podem ser superados, em muitos casos, por meio de cirurgia. Vale ressaltar, finalmente, a importância de se prevenir outros surtos da febre reumática nas pessoas que já apresentaram a doença, para que não haja o comprometimento do coração (caso não tenha ocorrido no primeiro surto) ou a piora deste. Esta prevenção também deve ser feita ,de preferência, com a penicilina benzatina a cada 3 semanas. Todos estes cuidados visam a melhor qualidade de vida de crianças e adultos com febre reumática.
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